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28/09/2011

Fatal como o destino

"Em 1890, quando D. Carlos iniciou o seu reinado, a dívida externa portuguesa era mais do dobro das dívidas externas da Roménia ou da Grécia..." (Filipe Ribeiro de Meneses, Afonso Costa, Lisboa, Texto Editores, 2010, p. 19)

06/10/2010

É sempre a mesma república...

Na última década do século XIX, D. Carlos nomeou José Dias Ferreira chefe do Governo. Este teria Oliveira Martins como ministro da Fazenda. Face à crónica situação orçamental, com o país perto da bancarrota, este ministro das Finanças toma as seguintes medidas: agravamento dos impostos e cortes nos ordenados dos funcionários, suspendendo novas admissões. Também aboliu o subsídio ao teatro da ópera de São Carlos. Estávamos no tempo da monarquia, esse tal regime que caíu em 5 de Outubro, substituído pela República, essa que agora faz cem anos. Mudou o regime, ficaram os problemas, mantiveram-se as medidas. As medidas e o povo basbaque...

05/03/2010

O eterno problema orçamental: tragam as violas

O problema das contas públicas deve perseguir-nos desde a nacionalidade. Talvez um pouco antes, já que podemos admitir com facilidade a hipótese de encontrarmos Afonso Henriques a pedir uns trocos à sua mãe, a fim de equilibrar a algibeira.
No fim do século XIX, a questão orçamental também se agudizara. A internacionalização das economias expunha-as demasiado às vicissitudes do livre-cambismo e dos apetites das nações e oligarquias mais poderosas. Não faltava, por isso, quem propusesse o regresso a políticas proteccionistas. Assim era no caso português, nos finais do século XIX, onde o equilibrio do orçamento já não se poderia fazer à custa da subida dos impostos, pois Portugal era dos pequenos países europeus o terceiro onde se tinha atingido a carga fiscal mais pesada. Aqui, nada de novo, portanto. Também nada de novo no facto de os bancos dos outros países terem muitas reticências a emprestar a Portugal. Alguns bancos de Paris apenas em segredo emprestaram dinheiro ao estado português, temendo a reacção dos seus clientes ao saberem o destino dos seus depósitos. As praças financeiras internacionais não viviam os melhores dias: ainda há pouco tínhamos assistido à bancarrota da Argentina e à falência do banco Baring Brothers. Nada de novo, também. O Baring Brothers era um dos principais contactos do estado português.
As nossas dificuldades com as contas públicas tinham várias origens. Para Oliveira Martins (o da altura, não o de agora, apesar de serem familiares e trabalharem no mesmo ramo) a causa da situação tinha a ver com a integração excessiva da economia nacional na economia mundial. Esta primeva forma de globalização, segundo o historiador Oliveira Martins, poderia trazer-nos mais crescimento económico, mas "sujeitava a economia portuguesa a choques violentos, sempre que o consumo externo dos produtos portugueses diminuía ou se degradava o crédito internacional do país." ( Cf. Rui RAMOS, D. Carlos, Lisboa, Círculo de Leitores, 2006, p.79). Apelava, como solução, não podendo recorrer ao crédito externo e ao aumento dos impostos, ao incremento do consumo interno
Em suma, velhos problemas, velhos impasses, velhas soluções. Se isto não é o nosso fado...

04/03/2010

Uma questão de altura

É inegável que somos mais altos quando comparamos a nossa altura média nas últimas décadas. Há quem diga que é por causa da alimentação. Tenho as minhas dúvidas. De facto, somos menos atarrecados na nossa estatura física, mas continuamos com óbvias limitações na nossa compleição intelectual. E isso já não vai lá respeitando a roda dos alimentos.
A consciência de que somos baixos, para não dizer, baixotes, sempre nos perseguiu. Bastaria recordar os artifícios a que se recorria quando se tirava o bilhete de identidade. Uns centímetros a menos ou a mais podia representar a diferença entre uma machadada na nossa auto-estima ou um bom motivo para sair à noite sem medos. Uma das putativas noivas de D. Carlos foi afastada por ser mais alta que o nosso príncipe. Por isso, fomos preferindo a mulher que, como a sardinha, era pequenina. Mais próxima da petinga, os portugueses foram optando por mulheres maneirinhas; para muitos, a escolha era mesmo por uma mulher ao alcance da mão, ao alcance do estalo.
Actualmente, como somos mais altos, já podemos ficar mais atentos a outras qualidades da mulher, escolhendo em função de outros critérios. Os portugueses mais altos e confiantes, avançaram assim na escala civilizacional.