Com votos de um Bom Ano de 2012, deixo-vos aqui as palavras programáticas de Manuel Laranjeira (1877-1912), médico e pensador, natural de Vila da Feira, alma trágica e lucidamente amargurada, que se suicidou com um tiro na cabeça, em 22 de Fevereiro de 1912, seguindo o caminho de Antero, Soares dos Reis, Camilo, Mário Sá-Carneiro, França Borges entre tantos que, na altura, escolheram essa saída. Já na altura, Manuel Laranjeira confessava em carta a Miguel de Unamuno, que em Portugal tudo o que é nobre suicidava-se e tudo o que é canalha triunfava!
"É preciso começar desde o princípio. Desde o princípio. É preciso refazer tudo, refundir a sociedade portuguesa de baixo a cima, incansavelmente, obstinadamente, com o desespero tenaz e glacial de quem se debate contra a morte. A tarefa é árdua, trabalhosa, dolorosa, e demanda rios de energia perseverante. Mas é preciso empreendê-la sob pena de nos vermos morrer ingloriamente, indignamente, relesmente, com o desprezo dos outros - e de nós mesmos." (Manuel Laranjeira, «Pessimismo Nacional», O Norte, 14 de Janeiro de 1908)
Um Bom Ano de 1912, a todos os companheiros da fila dos assim-assim!
